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Classes de colete salva-vidas: da Classe I (SOLAS) à Classe V
Publicado em 15/10/2026

Foto: Miguel A Amutio/Unsplash.
A NORMAM-321/DPC, norma da Marinha do Brasil para material de salvatagem, divide os coletes salva-vidas em seis categorias de emprego: Classe I (SOLAS), Classe II, Classe III, Classe IV, Classe V e Classe V Especial, além do EAF, o equipamento auxiliar de flutuação. A classe define onde o colete pode ser usado e, por consequência, quais requisitos ele precisa cumprir e a quais testes ele é submetido na homologação.
Este post faz parte de uma série; a visão geral dos testes está em Como é testado um colete salva-vidas.
As classes e o uso de cada uma (item 3.12.1)
Classe I (SOLAS)
Fabricada conforme a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS). É o colete das embarcações de mar aberto e das plataformas, eficiente em qualquer tipo de água, em mar agitado e em locais remotos, onde o resgate pode ser demorado. É a única classe que tem luz (o teste de funcionamento da luz, Anexo 3-O, só se aplica a ela). Pelo item 3.4 da norma, os testes da Classe I seguem também o Código LSA e a Resolução MSC.81(70) da Organização Marítima Internacional (IMO).
Classe II
Fabricada com base nos requisitos SOLAS, abrandados para embarcações de mar aberto que operam somente em águas sob jurisdição nacional. Tem os mesmos requisitos de flutuabilidade da Classe I; a norma diz que o que a diferencia é não possuir lâmpada.
Classe III
Destinada às embarcações empregadas na navegação interior.
Classe IV
O colete de trabalho: feito para uso por longos períodos por pessoas que trabalham perto da borda da embarcação, no cais ou suspensas em pranchas e outros dispositivos, com risco de cair na água acidentalmente.
Classe V
Esporte e recreio: jet-ski, banana-boat, esqui aquático, windsurf, parasail, pesca esportiva, canoagem, embarcações miúdas de esporte ou recreio e embarcações de esporte ou recreio de médio porte na navegação interior.
Classe V Especial
Para atividades em corredeiras, como o rafting, e outras reconhecidas como de águas brancas.
EAF — equipamento auxiliar de flutuação
O item 3.14.1 descreve o EAF como um colete de menor porte e flutuabilidade, usado em atividades náuticas no lugar do colete tradicional durante prática esportiva ou competições. Ele aparece na tabela de testes (item 3.19) ao lado das classes.
Canga ou jaleco
Independentemente da classe, o colete rígido pode ser fabricado em dois tipos (item 3.13.1 i):
- Canga: veste-se pela cabeça.
- Jaleco ou jaqueta: veste-se como uma jaqueta.
O tipo muda a forma de aplicar alguns testes. No de resistência mecânica (Anexo 3-J), por exemplo, a norma traz uma figura para cada tipo, porque a carga que tenta abrir o colete atua de forma diferente em cada um.
Requisitos que mudam de uma classe para outra
O item 3.13.1 reúne os requisitos de fabricação do colete rígido. Alguns valem para todos; outros dependem da classe.
Temperatura. O colete precisa não sofrer avarias sob temperatura ambiente de −30 °C a +65 °C na Classe I e de −1 °C a +65 °C na Classe II (item 3.13.1 g). A norma diz que esse requisito não é exigido para as classes III, IV, V e V Especial. Na água, todo colete precisa funcionar entre −1 °C e 30 °C (item 3.13.1 h).
Salto. Quem veste o colete precisa poder saltar na água sem se machucar e sem que o colete seja avariado ou deslocado do corpo:
| Altura do salto | Classes |
|---|---|
| 4,5 m | I, II, III, V e V Especial (item 3.13.1 d) |
| 10 m | IV, e V e V Especial empregados em atividades de alta velocidade (item 3.13.1 e) |
Vestir. Depois de uma demonstração, uma pessoa precisa conseguir vestir o colete corretamente em no máximo 1 minuto (item 3.13.1 a).
Cor. O material de salvatagem deve ser de cor laranja altamente visível em todas as partes em que isso ajude na detecção (item 3.5.1 d); outras cores dependem de consulta técnica à DPC. Os coletes Classe V e V Especial não precisam ser de cor padronizada (item 3.13.1 m).
Quais testes de material e resistência valem para cada classe
A tabela do item 3.19 traz 22 linhas de testes. Olhando só para os cinco testes de material e resistência mecânica — temperatura cíclica (3-F), resistência a óleo (3-G), absorção de água (3-H), resistência mecânica (3-J) e resistência à água do mar (3-M) —, a matriz fica assim:
| Classe | 3-F Temperatura cíclica | 3-G Óleo | 3-H Absorção de água | 3-J Resistência mecânica | 3-M Água do mar |
|---|---|---|---|---|---|
| I (SOLAS) | Sim | Sim | Sim | Sim | Sim |
| II | Sim | Sim | Sim* | Sim | Sim |
| III | Sim* | — | Sim* | Sim | — |
| IV | Sim* | — | Sim* | Sim | — |
| V e V Especial | Sim* | — | Sim* | Sim | — |
| EAF | Sim* | — | Sim* | Sim | — |
* Quando o material de flutuação não é cortiça nem paina (kapok).
O asterisco merece explicação. Na Classe I, a temperatura cíclica, o óleo e a absorção de água são aplicados ao material de flutuação, e a temperatura cíclica e o óleo também ao próprio colete; na Classe II, ao colete. Para todas as classes, porém, as linhas 18 e 19 da tabela acrescentam a temperatura cíclica e a absorção de água como testes adicionais para material de colete que não seja cortiça ou kapok. Na prática, isso significa as espumas. Um colete Classe III, IV ou V de espuma passa, portanto, pela câmara climática e pelo tanque de água, além da resistência mecânica, que vale para todas as classes.
O que acontece com a espuma em cada um desses testes está em A espuma do colete salva-vidas: temperatura cíclica, óleo e absorção de água, e as cargas da tração, que também mudam conforme a classe e o tamanho, em Resistência mecânica do colete salva-vidas.
Fora desses cinco, a tabela exige ainda, conforme a classe, conformidade do protótipo (3-E), flutuabilidade (3-I), resistência a chamas (3-L), vestir, endireitamento, queda, nado e embarque (3-N), luz (3-O, só Classe I) e inspeção final (3-P).
Onde a Labmor entra
A Labmor é o primeiro laboratório credenciado pela Marinha do Brasil (DPC) para testes de coletes salva-vidas pela NORMAM-321. O escopo cobre os cinco testes da matriz acima: 3-F, 3-G, 3-H, 3-J e 3-M. A homologação continua sendo da DPC; a Labmor executa os testes.
Veja o credenciamento na página Marinha do Brasil ou fale com a gente sobre o seu colete.
