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Como é testado um colete salva-vidas: os ensaios da NORMAM-321

Publicado em 15/10/2026

Tripulação revisa coletes salva-vidas laranja no salão de um navio de passageiros

Foto: Sinikka Halme, CC BY-SA 4.0, redimensionada.

Um colete salva-vidas só pode ser vendido como homologado no Brasil depois que um protótipo passa por uma bateria de testes definida pela NORMAM-321/DPC, a norma da Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil para material de salvatagem. Esses testes vão da conformidade do protótipo com os desenhos até o desempenho do colete na água com uma pessoa vestindo, passando por câmara climática, imersão em óleo diesel, tanque de água e máquina de tração.

Este post é o ponto de partida de uma série sobre o tema. Aqui está a visão geral; cada assunto tem um artigo próprio, com os detalhes.

A bateria completa, em uma tabela

O item 3.19 da NORMAM-321 lista os testes exigidos para coletes e o anexo da norma que descreve cada um. Agrupando por natureza:

GrupoTestes (anexo da NORMAM-321)
Documento × produtoConformidade do protótipo (3-E), inspeção final (3-P)
Material de flutuação e coleteTemperatura cíclica (3-F), resistência a óleo (3-G), absorção de água (3-H), resistência à água do mar (3-M)
FlutuaçãoFlutuabilidade do colete (3-I)
Resistência mecânicaCintura, ombro, tecido e tirantes (3-J)
FogoResistência a chamas (3-L)
Uso realVestir, endireitamento, queda, nado e embarque (3-N)
SinalizaçãoFuncionamento da luz, só na Classe I (3-O)

Nem todo teste vale para todo colete: a norma divide os coletes em classes de emprego (item 3.12.1), e a tabela do item 3.19 diz quais testes cada classe exige.

As classes em uma frase

  • Classe I (SOLAS): mar aberto e plataformas, eficiente em qualquer água e em locais remotos onde o resgate pode demorar; tem luz.
  • Classe II: requisitos SOLAS abrandados para mar aberto em águas sob jurisdição nacional; mesma flutuabilidade da Classe I, sem lâmpada.
  • Classe III: navegação interior.
  • Classe IV: uso prolongado por quem trabalha perto da borda da embarcação, no cais ou suspenso em pranchas.
  • Classe V e V Especial: esporte e recreio; a V Especial é para corredeiras e rafting.
  • EAF: equipamento auxiliar de flutuação, que aparece na tabela ao lado das classes.

O detalhe de cada uma, com a matriz de testes por classe, está em Classes de colete salva-vidas: da Classe I (SOLAS) à Classe V.

Os cinco testes de material e resistência

Cinco dos testes da tabela tratam do que acontece com o material do colete quando ele é exposto a calor, frio, combustível, água e esforço. São eles que formam o escopo de credenciamento da Labmor junto à DPC.

Temperatura cíclica (Anexo 3-F)

São 10 ciclos ininterruptos, cada um com 8 horas a +65 °C e 8 horas a −30 °C (ou −1 °C), com descanso em temperatura ambiente entre um patamar e outro: a amostra sai da câmara após as 8 horas e descansa até o dia seguinte, quando o ciclo recomeça no mesmo horário. Ao todo, são cerca de 160 horas em câmara. Vão para a câmara 2 coletes e 6 amostras do material flutuante. A aprovação exige que todas as amostras deem "não" em cinco quesitos: perda de rigidez, fissuras, alteração de dimensões e desagregação ou deterioração externa e interna.

Resistência a óleo (Anexo 3-G)

As amostras ficam imersas em óleo diesel, cobertas por uma camada de 100 mm de óleo, durante 24 horas contínuas à temperatura ambiente: 1 amostra de colete e 6 de material flutuante. Os quesitos de reprovação são os mesmos cinco do teste de temperatura, e todos precisam dar negativo.

Absorção de água (Anexo 3-H)

O material que dá flutuabilidade ao colete é imerso em um tanque de 1,25 m de altura com água doce. Mede-se quanto peso cada amostra sustenta sem afundar ao fim das primeiras 24 horas e de novo no 7º dia. A redução da flutuabilidade entre as duas leituras pode ser de no máximo 16% para as amostras que já passaram pela temperatura cíclica e pelo óleo, e de 10% para as demais. Os três testes de material estão detalhados em A espuma do colete salva-vidas: temperatura cíclica, óleo e absorção de água.

Resistência mecânica (Anexo 3-J)

O colete é molhado por 2 minutos, fechado como se estivesse vestido e tracionado por 30 minutos. Na cintura, um colete adulto (tamanho médio ou grande) recebe 3.200 N, cerca de 326 kgf; no ombro, 900 N. O tecido, depois de 1 hora em água salgada, precisa romper acima de 467 N (cerca de 48 kgf), e os tirantes acima de 1.780 N (cerca de 181 kgf). Todas as cargas e o porquê delas estão em Resistência mecânica do colete salva-vidas.

Resistência à água do mar (Anexo 3-M)

As amostras A e B ficam em um tanque com água salgada a 5% em peso de cloreto de sódio, à temperatura ambiente, por 48 horas contínuas. Para aprovar, nenhuma pode apresentar perda de rigidez, fissuras, alteração de dimensões ou desagregação.

Quem acompanha os testes

Os testes de homologação não são um assunto só entre o fabricante e o laboratório. Pelo item 1.6.2 da norma, eles seguem uma planilha de testes analisada e aprovada previamente pela DPC e são acompanhados por peritos designados pela DPC. Os protótipos devem ser retirados, de preferência, da própria linha de fabricação. Datas e locais são combinados com a DPC, e a programação é confirmada com no mínimo 15 dias de antecedência (item 1.7.2).

O que sai no fim

Terminados os testes, o executor envia à DPC o relatório de testes (item 3.20), com a descrição do produto, fotos datadas (a norma fala em uma média de oito), a descrição resumida de cada teste com o resultado e a assinatura do Responsável Técnico. É com base nesses relatórios e em uma inspeção final que a DPC decide e emite o Certificado de Homologação. O laboratório executa os testes; quem homologa o colete é a DPC.

O caminho completo, do requerimento ao certificado, está em Homologação de colete salva-vidas na Marinha: o passo a passo do fabricante.

Onde a Labmor entra

Em 23/09/2026 a DPC emitiu o Certificado de Aprovação nº LAB.01/2026, que credencia a Labmor para a realização de ensaios e testes de coletes salva-vidas e de seus materiais construtivos pela NORMAM-321/DPC. A Labmor é o primeiro laboratório credenciado pela Marinha do Brasil para esses testes. O escopo cobre os cinco testes descritos acima: 3-F, 3-G, 3-H, 3-J e 3-M.

Os detalhes do credenciamento estão na página Marinha do Brasil. Se você fabrica coletes e está em processo de homologação ou renovação na DPC, fale com a gente.