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Impacto em plásticos: D42 1235, ISO 179 e 180

Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: a ISO 179 (Charpy) e a ISO 180 (Izod) rompem o corpo de prova com um pêndulo e medem a energia absorvida; a D42 1235 deixa cair uma massa de aço sobre a peça, e a GMW14700 projeta cascalho sobre peças pintadas, a frio ou em ambiente.

Uma tampa que racha quando cai uma ferramenta, um clipe que estoura na montagem em um dia frio, um suporte que quebra no primeiro buraco: muitas falhas de peças plásticas são falhas de impacto. Como a tenacidade de um plástico cai muito com o frio e com a presença de cantos vivos, os ensaios de impacto entram em quase todo plano de validação de peça plástica automotiva.

Charpy e Izod: o pêndulo

Nos dois ensaios, um pêndulo de energia conhecida é solto de uma altura fixa, golpeia o corpo de prova e continua o movimento. A diferença entre a energia inicial e a que sobra depois do golpe é a energia absorvida para romper o material.

PontoCharpy (ISO 179 / ASTM D6110)Izod (ISO 180 / ASTM D256)
Apoiocorpo de prova bi-apoiado, deitadocorpo de prova engastado, em pé
Golpeno meio do vão, do lado oposto ao entalhena extremidade livre, do lado do entalhe
Resultado ISOenergia por área da seção (kJ/m²)energia por área da seção (kJ/m²)
Resultado ASTMenergia por largura (J/m)energia por largura (J/m)

O entalhe concentra tensão e simula cantos vivos, nervuras e furos da peça. Um material pode ser tenaz sem entalhe e frágil com ele, e por isso a especificação precisa dizer qual condição vale. O relatório também registra o tipo de ruptura — completa, em dobradiça, parcial ou sem ruptura —, que é tão importante quanto o número.

Como na tração, resultados ISO e ASTM não são comparáveis diretamente: unidades, geometria e montagem do corpo de prova mudam.

Impacto em temperatura negativa

A tenacidade dos plásticos cai com o frio, às vezes de forma brusca: um PP pode ser dúctil em temperatura ambiente e frágil abaixo de zero. Por isso muitas especificações pedem o impacto também em temperatura negativa. Os corpos de prova são condicionados no frio por um tempo definido e ensaiados logo após saírem da câmara, para que não aqueçam.

O mesmo raciocínio vale para a peça inteira. O ensaio de impacto a frio resfria o componente e aplica um golpe controlado, como a queda de uma esfera de aço, sobre a própria peça. Veja também os ensaios de baixas temperaturas.

Renault D42 1235

A D42 1235 é o método Renault de comportamento ao impacto de peças de plástico ou borracha por queda de massa — não é um ensaio de pêndulo. A peça é fixada como fica no veículo, estabilizada na temperatura escolhida, e recebe a queda de um corpo de aço de forma e massa definidas, de uma altura conhecida; depois se observa a aparência da peça ou a resistência das colagens. A norma descreve vários impactadores (de ponta esférica, de faca, cilíndricos) e massas ajustáveis em degraus. No site da Labmor ela aparece em duas condições: impacto em temperatura ambiente e impacto em temperatura negativa. O impactador, a massa, a altura, a temperatura e as regiões de impacto vêm do documento que cita a norma. No histórico da Labmor, ela é a norma de impacto de montadora mais pedida, aplicada a plásticos, borrachas e espumas.

GMW14700

A GMW14700 é o procedimento da GM de resistência de revestimentos ao impacto de pedras: um gravelômetro construído conforme a SAE J400 projeta cascalho sobre a superfície pintada de peças metálicas, plásticas ou de compósito. A norma tem três métodos — dois a −18 °C (com o gravelômetro dentro do frio ou com a amostra transferida do freezer) e um em ambiente controlado a 22 °C. É, portanto, um ensaio de pintura, parente do stone chip SAE J400, e não um impacto de material plástico. Fora do pêndulo, a Labmor também realiza impacto por queda de massa, como o impacto direto da ASTM D2794 e as quedas de esfera das normas VW PV 3966 e PV 3905.

Corpo de prova ou peça?

A Labmor trabalha com validação de produto pronto, e o impacto entra no plano de duas formas:

  • Ensaio de material (Charpy, Izod): corpos de prova usinados de uma região plana da peça, ou injetados no mesmo material e processo. Mostra a tenacidade do material e permite comparar lotes e fornecedores. Corpos de prova tirados da peça carregam o efeito da orientação de fluxo e da linha de solda.
  • Ensaio na peça (normas de montadora, impacto a frio, queda de esfera): o golpe é aplicado no componente, no ponto crítico indicado pela especificação. Mostra o comportamento real, com espessura, nervuras e cantos vivos.

Os dois são complementares. O ensaio de material é rápido e comparável; o ensaio na peça é o que responde se ela quebra.

Ensaios que costumam vir junto

  • Tração e flexão do material (ISO 527-2 e ASTM D638, ISO 178);
  • Densidade (ASTM D792 e ISO 1183-1) para confirmar o material e o teor de carga;
  • Envelhecimento térmico antes do impacto, quando a especificação pede retenção de tenacidade;
  • Stone chip em peças externas pintadas (SAE J400).

A lista dos ensaios de impacto realizados está em Ensaios Físicos.

Erros comuns

  • Não dizer se o corpo de prova é entalhado nem o tipo de entalhe.
  • Comparar kJ/m² (ISO) com J/m (ASTM).
  • Deixar o corpo de prova aquecer entre a câmara fria e o pêndulo.
  • Aprovar a peça só pelo Charpy do material, quando a especificação pede o impacto no componente.

Experiência da Labmor

Desde 2014, ensaios de impacto (pêndulo, queda de esfera e batida de pedras) aparecem em mais de 200 projetos da Labmor. A Renault D42 1235 está no histórico desde 2014, a GMW14700 desde 2017 e a ISO 179 desde 2017, principalmente em plásticos e peças automotivas de interior e exterior.