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Ensaios em plásticos de interior automotivo

Resposta rápida: plásticos de interior costumam pedir flamabilidade horizontal (FMVSS 302 / ISO 3795), resistência ao calor, impacto a frio, odor e fogging, riscamento e resistência química. O conjunto vem da especificação da montadora.

O interior de um veículo é um ambiente severo para o plástico: o painel sob o para-brisa esquenta ao sol, o porta-copos recebe café e refrigerante, a alça de porta recebe creme de mão e protetor solar, e o console é riscado por chaves e anéis. A validação da peça pronta reproduz essas solicitações em laboratório antes que elas apareçam como reclamação de cliente.

O que pode falhar num plástico de interior

  • Deformação ou empenamento depois de horas ao sol com o carro fechado;
  • Trinca ou quebra no frio, quando um objeto cai sobre a peça num dia de inverno;
  • Cheiro desagradável e película no para-brisa (fogging) por voláteis do material;
  • Riscos, marcas de unha e perda de brilho no uso diário;
  • Manchas, amolecimento ou perda de textura em contato com produtos químicos do dia a dia;
  • Propagação de chama acima do permitido pela regulamentação.

Os ensaios que validam a peça

EnsaioO que simulaNormas típicas
Flamabilidade horizontalPropagação de chama em material de interiorFMVSS 302, ISO 3795, ABNT NBR ISO 3795, Resolução CONTRAN nº 498, SAE J369
Resistência ao calor com variação dimensionalPeça exposta a alta temperatura, como sob o sol com o carro fechadoRenault D47 1234, GMW14444, GMW14650
Impacto a frio e queda de bolaObjeto caindo sobre a peça fragilizada pelo frioVW PV 3905, PV 3966, Renault D42 1235, GMW14650
Odor e foggingEmissão de voláteis no habitáculo e no para-brisaVDA 270, VW PV 3900, PV 3015, GMW 3205, Nissan NES M0160
Riscamento e abrasãoChaves, unhas, anéis e limpeza repetidaVW PV 3952 (scratch), PV 3974 (mar), Renault D42 1775, ASTM D4060
Resistência químicaProdutos de limpeza, bebidas, cremes e protetor solarRenault D47 1924, Nissan NES M0133, Fiat 9.91223
Resistência ao manchamentoContato com agentes que manchamRenault D47 1199, GMW14444

A flamabilidade horizontal — FMVSS 302, ISO 3795, ABNT NBR ISO 3795, Resolução CONTRAN nº 498 e SAE J369 — está no escopo acreditado da Labmor pela ABNT NBR ISO/IEC 17025. Os demais ensaios da tabela são realizados conforme a norma indicada pelo cliente.

Montagem do corpo de prova no suporte do ensaio de flamabilidade horizontal, na Labmor

Ensaio na peça ou no corpo de prova?

Depende do requisito. A flamabilidade usa um corpo de prova de geometria definida pela norma, normalmente cortado da própria peça ou de uma placa do mesmo material e processo. Já calor com variação dimensional, impacto, riscamento e química costumam ser feitos na peça acabada ou em recortes dela, porque o que se avalia é a peça como o cliente final a vê: textura, pintura, soft-touch, cantos e nervuras.

Quando o material também precisa de dados de caracterização para o PPAP — tração, flexão, densidade —, eles entram no mesmo plano. A tração de plásticos pela ASTM D638 e pela ISO 527-2, a flexão pela ISO 178 e a densidade pela ISO 1183-1 e ASTM D792 também estão no escopo acreditado.

Normas de montadora mais pedidas

No histórico da Labmor, a FMVSS 302 é de longe a norma mais citada nos projetos de materiais de interior, seguida da ISO 3795, da Resolução CONTRAN e de especificações de montadora como a VW PV 3304 (resistência ao frio de mangueiras de combustível) e as normas Renault de impacto e calor. Em painéis de porta, consoles e cockpits, aparecem com frequência as normas de odor (Nissan NES M0160, normas Volvo), as de resistência ao calor e as de abrasão e riscamento.

Cada montadora tem a sua forma de expressar o mesmo risco. Por isso, o primeiro passo do plano é sempre a especificação do desenho da peça: ela diz quais ensaios, em que sequência e com que critério.

Como planejar o ensaio

  • Amostras: a quantidade depende de cada ensaio — a flamabilidade, por exemplo, usa vários corpos de prova por direção do material. Peça a lista ao laboratório antes de separar as peças.
  • Pré-condicionamento: muitas normas pedem que a peça seja envelhecida ao calor antes do odor, do impacto ou da química. Isso entra na programação.
  • Sequência: quando a especificação pede ensaios em sequência na mesma peça (calor, depois impacto, depois inspeção), o laboratório precisa saber antes, para não consumir a amostra em ensaios paralelos.
  • Tamanho da peça: as câmaras e estufas têm limite de tamanho. Para peças grandes, confirme as dimensões no orçamento; muitas vezes o ensaio pode ser feito em recortes representativos.
  • Critério de aceitação: quando a norma deixa a decisão para o desenho (por exemplo, a variação dimensional máxima), envie o critério junto com o pedido.

Experiência da Labmor

A Labmor ensaia plásticos e materiais de interior desde os primeiros anos de operação: são mais de 300 projetos com plásticos e polímeros desde 2013 e mais de 160 projetos de flamabilidade pela FMVSS 302, além de painéis de porta, consoles e cockpits ensaiados para normas de odor, calor, impacto e riscamento.

Para entender um dos ensaios químicos mais pedidos para esse tipo de peça, leia por que plásticos de interior são testados com protetor solar e cosméticos.