Blog · Climáticos
ISO 6270-2 e ASTM D1735: umidade em revestimentos
Publicado em 15/10/2026
Resposta rápida: a ISO 6270-2 expõe a peça pintada a condensação de água; a ASTM D1735, a uma névoa de água sem sal. Nas duas, a umidade revela bolhas, perda de aderência e corrosão sob o revestimento.
Revestimento orgânico — tinta, verniz, pintura eletroforética, pintura a pó — é uma barreira, e nenhuma barreira é perfeita: a água atravessa a película aos poucos. Se a preparação da superfície ou a cura falharam, essa água acumula na interface e a tinta forma bolhas ou descola. Os ensaios de umidade aceleram esse processo sem o sal da névoa salina, isolando o efeito da água.
Por que testar umidade separado da corrosão salina?
Porque os mecanismos são diferentes. Na névoa salina, o protagonista é o cloreto, que ataca o metal exposto e avança a partir de defeitos. Na umidade, o protagonista é a água que atravessa a película: ela mostra problemas de pré-tratamento, contaminação da superfície, cura e aderência, mesmo numa pintura sem risco e sem dano. É comum a mesma especificação pedir os dois ensaios em amostras diferentes.
ISO 6270-2: atmosfera de condensação
A ISO 6270-2 é a parte da série ISO 6270 que trata de atmosferas de condensação em câmara. A peça fica numa câmara aquecida com água no fundo; o ar saturado condensa sobre a superfície da amostra, que fica coberta por uma película de água durante o ensaio.
A norma prevê três atmosferas de ensaio: condensação com umidade constante (CH), com o ar a cerca de 40 °C durante todo o ensaio, e duas atmosferas alternadas (AHT e AT), em que a umidade e/ou a temperatura do ar variam ao longo de um ciclo, em geral de 24 horas. A especificação do produto diz qual usar e por quanto tempo; a versão da norma usada vai no relatório.
ASTM D1735: névoa de água
A ASTM D1735 é uma prática de resistência à água de revestimentos por exposição a uma névoa de água, num equipamento parecido com o de salt spray — mas a solução é água de alta pureza, sem cloreto de sódio, e a câmara costuma ficar a 38 °C. A névoa molha continuamente a superfície pintada, e a avaliação procura bolhas, perda de aderência e alteração de aparência. Como a B117, a D1735 não fixa a duração nem o critério: isso vem da especificação.
Ela aparece principalmente em especificações americanas e de montadoras que seguem normas ASTM para acabamentos.
E a ASTM D2247 e a NBR 8095?
São as outras normas de umidade saturada que a Labmor atende — e estão, junto com a ISO 6270-2/2017, no escopo acreditado:
| Norma | O que é | Acreditada na Labmor? |
|---|---|---|
| ISO 6270-2 | Umidade com condensação em câmara | Sim (2017) |
| ASTM D2247 | Exposição de revestimentos a 100% de umidade relativa | Sim (2015, reaprovada em 2020) |
| ABNT NBR 8095 | Exposição à atmosfera úmida saturada | Sim (2015) |
| ASTM D1735 | Névoa de água sobre revestimentos orgânicos | Não — realizada |
Se o desenho cita uma delas, ensaia-se por ela. Trocar a ISO 6270-2 pela ASTM D2247, por exemplo, é decisão de quem especifica a peça.
Como o resultado é avaliado
O ensaio de umidade é seguido de uma avaliação, normalmente:
- imediatamente após a retirada da câmara, quando bolhas e manchas estão mais visíveis;
- e depois de uma recuperação em atmosfera ambiente, quando a especificação pede.
Os critérios mais comuns:
- Empolamento pela ISO 4628-2 (quantidade e tamanho das bolhas);
- Aderência por corte em grade (ISO 2409) ou pelo método da especificação — é comum a norma de montadora pedir aderência antes e depois da umidade;
- Aparência: alteração de cor, brilho, manchas, enrugamento;
- Corrosão sob a película em peças metálicas pintadas.
No histórico da Labmor, a umidade aparece com frequência junto da aderência por corte em grade, inclusive em normas de montadora como a GMW14729.
Como especificar o ensaio
Para orçar e planejar, informe:
- Norma e versão (ISO 6270-2 com a atmosfera escolhida, ASTM D1735, ASTM D2247 ou NBR 8095);
- Duração em horas;
- Tipo de amostra: peça acabada ou painel pintado, e se há face funcional ou de aparência;
- Avaliações antes e depois (aderência, empolamento, cor, brilho);
- Quantidade de amostras e amostra de referência, se houver.
Uma armadilha frequente é pedir "teste de umidade" sem dizer se é umidade saturada com condensação ou umidade controlada sem condensação (por exemplo, 85% de umidade relativa em câmara climática). São ensaios diferentes, feitos em equipamentos diferentes — a diferença está explicada em ensaios climáticos de umidade.
Umidade, ciclo e corrosão cíclica
A umidade com condensação também aparece como fase de ensaios maiores: na corrosão cíclica, como a VW PV 1210, a peça alterna névoa salina, repouso e condensação. E muitas normas de montadora combinam umidade com ciclos de temperatura e frio, no que o site chama de ensaios climáticos combinados.
Experiência da Labmor
A umidade é um dos ensaios mais pedidos na Labmor: mais de 270 projetos de calor úmido e umidade desde 2014. Para revestimentos, a ISO 6270-2 e a ASTM D1735 somam mais de 20 projetos fechados desde 2016, principalmente em acabamentos pintados, mas também em couros e tecidos, borrachas e peças plásticas. A Labmor tem câmara úmida para condensação e câmaras climáticas para umidade controlada. A validação completa de pintura está em validação de acabamentos pintados.
