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VW PV 1210 e corrosão cíclica: além da névoa salina

Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: a VW PV 1210 é um ensaio de corrosão cíclica: cada ciclo de 24 h tem 4 h de névoa salina neutra, 4 h em atmosfera padrão e 16 h de umidade com condensação. A especificação define o número de ciclos.

A névoa salina contínua da ASTM B117 é ótima para comparar revestimentos, mas a peça no carro não vive molhada de sal o tempo todo: ela molha, seca, condensa, fica parada no estacionamento. A corrosão cíclica tenta reproduzir essa alternância — e por isso as montadoras a adotam nas especificações de carroceria, fixadores e peças pintadas.

Peças em ensaio de corrosão na Labmor

O que é a PV 1210?

A PV 1210 é uma norma de ensaio da Volkswagen para avaliar a corrosão de carrocerias pintadas, painéis, conjuntos e componentes com diferentes proteções anticorrosivas, sob condições alternadas. Ela combina dois ensaios que já existem isoladamente:

  • a névoa salina neutra (NSS) da ISO 9227;
  • a umidade com condensação, na atmosfera de umidade constante (CH) da ISO 6270-2;

e acrescenta uma fase em atmosfera padrão de laboratório (23 °C e 50% de umidade relativa), em que a peça seca parcialmente. A sequência se repete por um número de ciclos definido na especificação da peça, e a norma não admite alterar o programa do ciclo.

Como é o ciclo

Cada ciclo da PV 1210 dura 24 horas e tem três fases, nesta ordem:

FaseO que aconteceO que provoca
Névoa salina (4 h)A peça recebe névoa de solução de NaCl, como no salt spray neutroDepósito de sal na superfície e nas frestas
Atmosfera padrão (4 h)A peça fica a 23 °C e 50% de umidade relativaSecagem parcial e concentração do sal
Umidade com condensação (16 h)A peça vai para a câmara úmida, aquecida, com água condensando sobre a superfícieReativação do sal e penetração por frestas e defeitos

A cada 5 ciclos, a norma prevê 2 dias de repouso em atmosfera padrão — na prática, o fim de semana; por isso 15 ciclos levam três semanas. Suprimir essas pausas só é aceito quando se comprova que o resultado não muda, e isso vai escrito no relatório, que também registra a versão da norma aplicada.

A norma prevê avaliações depois de 5, 15, 30, 60 e 90 ciclos, e encerra o ensaio quando aparece enferrujamento de grau Ri 5 (ISO 4628-3) ou perfuração. Na prática, quantos ciclos rodar e qual o critério de aprovação vêm da especificação da peça — não do laboratório.

Por que a corrosão cíclica é diferente da névoa contínua?

Na névoa contínua, a superfície fica sempre molhada e o sal sempre diluído. No ciclo, a secagem concentra o sal, a condensação reativa esse sal e a alternância força o eletrólito a entrar em frestas, rebites, dobras e falhas de pintura. Por isso a corrosão cíclica costuma revelar problemas que a névoa contínua não mostra — por exemplo, corrosão em sobreposições de chapa ou descolamento de pintura a partir do risco.

A comparação completa, com quando usar cada uma, está em corrosão cíclica x névoa salina: qual escolher.

Outras normas de corrosão cíclica

A PV 1210 não é a única. A Labmor já atendeu também a especificações como:

  • Mercedes DBL 7390, citada na página de corrosão;
  • normas de corrosão cíclica de outras montadoras, como as da Toyota;
  • ISO 11997-1, de ensaios cíclicos para tintas e vernizes.

Cada uma tem a sua sequência de fases, e elas não são equivalentes entre si. Se o desenho pede uma, ensaia-se por ela.

Como a peça é avaliada

A PV 1210 cria a exposição; a avaliação segue a especificação. As mais comuns:

  • Inspeção visual em intervalos combinados (por exemplo, a cada tantos ciclos), com registro fotográfico.
  • Grau de enferrujamento e empolamento de revestimentos orgânicos, pela série ISO 4628.
  • Avanço a partir do risco — o risco atravessa a pintura até o metal e fica na vertical durante o ensaio; a corrosão e o descolamento a partir dele são avaliados pela ISO 4628-8.
  • Funcionamento da peça depois do ensaio, quando ela tem partes móveis, roscas ou contatos elétricos.

Uma dica prática: combine antes quais faces são avaliadas e se a peça entra montada (com parafusos, vedações, clipes) ou solta. A corrosão em fresta só aparece se a fresta existir no ensaio.

O que o cliente precisa informar

Para orçar e planejar um ensaio de corrosão cíclica, o laboratório precisa de:

  1. Norma e versão (PV 1210, DBL 7390 ou outra);
  2. Número de ciclos e se há inspeções intermediárias;
  3. Estado da peça — nova, pintada, com risco, montada em dispositivo;
  4. Quantidade de amostras (para ensaio completo de componente, a PV 1210 pede pelo menos 5 peças) e se há amostra de referência;
  5. Critério de aprovação, com a norma de avaliação.

Como o ensaio ocupa câmara por semanas, o planejamento é importante: o tamanho das peças precisa caber nas câmaras de névoa e de umidade.

A corrosão cíclica diz quantos anos a peça dura?

Não. Ela costuma se aproximar mais do comportamento em campo do que a névoa contínua, mas não existe correlação linear entre ciclos e anos — a própria PV 1210 avisa que a correlação com o uso real do veículo não é necessariamente possível. O número de ciclos é uma decisão do engenheiro do produto ou da norma da montadora, baseada em experiência acumulada com aquele tipo de peça — não uma conversão.

Experiência da Labmor

A Labmor realiza corrosão cíclica desde 2016, com 20 projetos fechados, quase todos a partir de 2023. As peças ensaiadas incluem fixadores e peças metálicas, acabamentos pintados, bombas e válvulas e componentes plásticos com partes metálicas. O ciclo usa os mesmos equipamentos dos ensaios de névoa salina (ISO 9227) e de umidade (ISO 6270-2), que estão no escopo acreditado; a PV 1210 em si não faz parte do escopo. Para a parte de umidade, veja também os ensaios climáticos de umidade.