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ISO 9227, ASTM B117 e NBR 17088: diferenças
Publicado em 15/10/2026
Resposta rápida: no ensaio neutro, todas usam névoa de cloreto de sódio a 5% a 35 °C, mas não são intercambiáveis: a ASTM B117 cobre só a neutra; a ISO 9227 e a NBR 17088, também a acética e a cupro-acética.
Quem recebe um desenho com "salt spray 96 h" e uma norma diferente da que conhece costuma perguntar se dá no mesmo. Em resultado prático, muitas vezes é parecido; em rastreabilidade, não: o relatório precisa citar a norma pedida, e a troca de norma é decisão de quem especifica a peça. Este texto resume o que cada uma traz e onde elas diferem.
As normas em uma tabela
| Norma | Origem | Ensaios que cobre | Onde aparece |
|---|---|---|---|
| ASTM B117 | EUA (ASTM) | Névoa salina neutra | Especificações americanas, fixadores, muitas normas de montadora |
| ISO 9227 | Internacional (ISO) | NSS (neutra), AASS (acética), CASS (cupro-acética) | Especificações europeias e internacionais, revestimentos decorativos |
| ABNT NBR 17088 | Brasil (ABNT), 2023 | NSS, AASS e CASS, nos moldes da ISO 9227 | Especificações brasileiras atuais |
| ABNT NBR 8094 | Brasil (ABNT), 1983 — cancelada | Névoa salina neutra | Desenhos e especificações brasileiras mais antigas, materiais elétricos |
A Labmor é acreditada pela Cgcre/Inmetro para névoa salina pela ASTM B117/2019, pela ISO 9227/2022 (névoa neutra e acética) e pela ABNT NBR 17088/2023 — veja o escopo acreditado.
ASTM B117: só a névoa neutra
A B117 é a mais antiga e a mais citada. Descreve a câmara, a solução de NaCl a 5% (em massa), a temperatura de 35 °C e o controle da névoa coletada. Não define duração nem critério de aprovação — esses vêm da especificação. O passo a passo está no post ASTM B117: como funciona o ensaio de névoa salina.
ISO 9227: três ensaios na mesma norma
A ISO 9227 traz três variantes, todas em câmara de névoa:
- NSS (Neutral Salt Spray): névoa neutra, equivalente em princípio à B117. É a mais usada para metais com ou sem revestimento, zinco, fosfato e pintura.
- AASS (Acetic Acid Salt Spray): a solução é acidificada com ácido acético (pH da solução coletada entre 3,1 e 3,3), o que torna o ensaio mais agressivo. É indicada para revestimentos decorativos de cobre-níquel-cromo ou níquel-cromo, e também serve para camadas anódicas e orgânicas sobre alumínio.
- CASS (Copper-accelerated Acetic Acid Salt Spray): além do ácido acético, recebe cloreto de cobre e roda a 50 °C, contra 35 °C das outras duas. É a mais severa das três, com as mesmas aplicações da AASS.
A ISO 9227 também exige a verificação da corrosividade da câmara com placas de aço de referência, avaliadas pela perda de massa. A Labmor faz essa verificação periodicamente na sua câmara.
ABNT NBR 17088 e a antiga NBR 8094
A NBR 17088, publicada em 2023, é a norma brasileira atual de névoa salina: segue a ISO 9227, com os três ensaios (neutro, acético e cupro-acético) e a verificação de corrosividade da câmara num anexo normativo. Ela cancelou e substituiu a NBR 8094:1983, a norma brasileira anterior de névoa salina neutra, junto com outras normas brasileiras antigas da família. A NBR 8094 ainda aparece em desenhos antigos, em especificações de materiais elétricos de instalação e em fornecimentos para o setor ferroviário.
Se o desenho cita a NBR 8094, vale confirmar com o cliente se a especificação foi atualizada. Enquanto não for, o ensaio segue o que está escrito — e o laboratório deve deixar claro no relatório qual norma usou e que ela foi cancelada.
Onde as normas diferem na prática
No ensaio neutro, os parâmetros principais praticamente coincidem: 35 °C ± 2 °C, pH da solução coletada entre 6,5 e 7,2 e 1 a 2 mL/h de névoa coletada em 80 cm². As diferenças estão nos detalhes, que podem pesar num caso de fronteira:
- Solução e água: a B117 expressa a concentração em partes por massa; a ISO 9227 e a NBR 17088, em gramas por litro, e cada uma tem seu requisito de pureza da água.
- Verificação da câmara: na ISO 9227 e na NBR 17088, a medida de corrosividade com placas de referência faz parte do método; na B117, o procedimento com placas de aço aparece num apêndice informativo.
- Posicionamento: cada norma descreve a inclinação e o arranjo das peças; o laboratório segue a da norma citada.
- Variantes ácidas: a ISO 9227 e a NBR 17088 trazem AASS e CASS. Se o desenho pede "CASS", não existe equivalente na B117.
Por isso a recomendação é sempre a mesma: ensaie pela norma citada. Se o cliente quiser trocar de norma para unificar fornecedores, isso é uma revisão de especificação, não uma escolha do laboratório.
Qual norma especificar num produto novo?
Algumas orientações de quem recebe essas especificações todos os dias:
- Peça para montadora: siga a norma do cliente. Muitas normas de montadora citam a ISO 9227 ou a B117 diretamente.
- Revestimento decorativo (cobre-níquel-cromo, níquel-cromo) ou alumínio anodizado: a AASS ou a CASS da ISO 9227 (ou da NBR 17088) costumam ser o caminho.
- Produto para o mercado brasileiro sem norma de cliente: a NBR 17088 é a referência nacional atual.
- Exportação para os EUA: a B117 costuma ser a esperada.
Em todos os casos, especifique também a duração, o estado da amostra (com ou sem risco) e o critério de avaliação — por exemplo, grau de enferrujamento pela ISO 4628-3 ou ASTM D610, ou empolamento pela ISO 4628-2.
E a duração? Existe tabela de conversão entre normas ou em anos?
Não. A duração é definida pelo engenheiro do produto ou pela norma que ele adota, e não há correlação linear entre horas de névoa salina e anos de uso. Também não há fator de conversão entre NSS, AASS e CASS: são severidades diferentes, escolhidas para tipos diferentes de revestimento. Quando o objetivo é aproximar o ensaio do campo, as especificações automotivas costumam ir para a corrosão cíclica.
Experiência da Labmor
A família de névoa salina soma mais de 250 projetos fechados na Labmor, com a ASTM B117 como a norma mais pedida, seguida da ISO 9227 e das normas brasileiras (NBR 8094 e, desde 2023, NBR 17088). Os produtos vão de peças metálicas, fixadores e cromados a quadros e disjuntores, mangueiras, sensores e componentes ferroviários. A lista completa de ensaios de corrosão está na página de corrosão; para peças pintadas, veja também a validação de acabamentos pintados.
