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Queda livre (drop test): alturas, faces e quinas

Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: a peça é solta de uma altura definida sobre superfície rígida, numa orientação definida (face, aresta ou quina), um número definido de vezes, e depois é avaliada por inspeção visual e funcional.

Toda peça cai pelo menos uma vez antes de chegar ao cliente final: da bancada de montagem, da caixa de transporte, da mão do operador na linha. O drop test responde se ela sobrevive a isso — e, tão importante quanto, se ela sobrevive sem um dano escondido que só vai aparecer em campo.

Os quatro parâmetros de uma queda

ParâmetroO que defineExemplo de como aparece na norma
AlturaA energia do impactoDistância entre o ponto mais baixo da peça e o piso
SuperfícieA rigidez do choquePiso de concreto ou chapa de aço sobre base rígida
OrientaçãoOnde a peça bateFaces, arestas e quinas numeradas
Número de quedasO dano acumuladoQuedas por orientação, por amostra

Somam-se a eles a temperatura (algumas normas pedem queda com a peça fria, quando o plástico está mais frágil — veja impacto a frio), a condição da peça (embalada ou nua, montada ou solta) e se ela está energizada ou não.

Faces, arestas e quinas: por que a orientação importa

Uma mesma altura pode ser inofensiva numa face plana e destrutiva numa quina, onde a energia se concentra numa área mínima. Por isso as normas não dizem só "deixar cair": dizem como a peça deve tocar o piso.

  • Face: a peça cai com uma superfície paralela ao piso. Avalia flexão de paredes, tampas e suportes.
  • Aresta: a peça cai apoiada numa borda. Avalia cantos de carcaça e encaixes.
  • Quina: a peça cai sobre um vértice. É em geral a condição mais severa para carcaças plásticas.

Em ensaios de embalagem, como os da série ISTA, as faces, arestas e quinas recebem uma numeração padronizada para que a sequência possa ser reproduzida. Em componentes automotivos, a especificação costuma pedir quedas em eixos ou faces determinados, e cabe ao plano dizer qual orientação, em que ordem e em qual amostra.

Na prática, garantir a orientação no instante do impacto é o desafio técnico do ensaio: a peça precisa ser liberada sem girar. Peças de formato irregular podem exigir um suporte de liberação próprio — mais um ponto para combinar antes do orçamento.

Quantas quedas e quantas amostras?

Depende da norma. Há especificações que pedem uma queda em cada uma de várias orientações na mesma amostra, outras que distribuem as orientações entre amostras diferentes, e outras que pedem quedas repetidas na mesma posição. Como o drop test é frequentemente destrutivo, ele costuma usar amostras dedicadas ou ser posicionado num ponto específico da sequência de validação — por exemplo, antes dos ensaios funcionais, para verificar se a peça que caiu ainda funciona. O post quantas amostras enviar trata dessa conta.

Como a peça é avaliada depois da queda

A avaliação típica tem duas partes:

  1. Inspeção visual: trincas, quebras, partes soltas, deformação de fixações, conectores danificados.
  2. Verificação funcional: a peça liga, mede, aciona e veda como antes.

Muitas normas de componentes eletroeletrônicos automotivos fazem uma distinção importante: dano visível na carcaça pode ser aceito, porque a peça danificada seria descartada na linha, mas dano oculto que comprometa o funcionamento não é aceito. É por isso que a inspeção funcional depois da queda é tão importante quanto a visual. O critério exato, porém, vem da especificação do cliente — e precisa estar escrito antes do ensaio.

Queda livre não é queda de bola

As duas aparecem nos pedidos com nomes parecidos, mas são ensaios diferentes:

  • Queda livre: a peça cai sobre o piso. Avalia a peça inteira, como produto.
  • Queda de bola: uma esfera de massa definida cai sobre a peça ou o corpo de prova. É um ensaio de impacto localizado, comum em painéis e peças plásticas de acabamento. Normas como VW PV 3905, VW PV 3966 e Nissan NES M0134 entram aqui.

Também não confunda com o choque mecânico feito no shaker: lá o pulso de aceleração (forma, pico e duração) é controlado eletronicamente; na queda livre, o pulso é consequência da altura, da superfície e da própria peça.

Normas que pedem queda livre

Entre as referências mais frequentes estão:

  • ISO 16750-3, que inclui um ensaio de queda livre para componentes elétricos e eletrônicos de veículos rodoviários que podem cair no manuseio antes da montagem; na revisão de 2023, a altura de queda é escolhida pela massa da peça;
  • GMW3172 e SAE J1455, com ensaios de queda para componentes automotivos;
  • ISO 8092, para conexões de chicotes;
  • IEC 60068-2-31, ensaio de manuseio brusco (quedas e tombamentos) para equipamentos;
  • normas de montadora, como Stellantis CS.00263 (que substituiu a CS.00056), VW 80000, Toyota TSM0502 e Mercedes MBN 10306.

O que informar no pedido

  • Norma e revisão, ou a especificação do cliente com altura, superfície, orientações e número de quedas.
  • Se a peça cai nua ou embalada, montada ou solta, com ou sem chicote.
  • Temperatura da peça no momento da queda.
  • Critério de aceitação e quais verificações funcionais fazer depois.
  • Se há fotos ou vídeo de cada queda a registrar.

Experiência da Labmor

Desde 2014 a Labmor realizou mais de 60 projetos de queda livre, em peças plásticas, componentes metálicos, conectores, acessórios de chicote e maçanetas e fechaduras, para normas como Stellantis CS.00056/CS.00263, Toyota TSM0502 e Mercedes MBN 10306. A queda livre conforme ISO 8092, GMW3172 e SAE J1455 está entre os ensaios físicos do laboratório e costuma entrar no mesmo plano dos ensaios de vibração e choque.