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Resistência mecânica do colete salva-vidas: 3.200 N na cintura

Publicado em 15/10/2026

Pessoa de costas, de colete salva-vidas amarelo, num barco olhando o mar

Foto: stephanie dawn/Unsplash.

No teste de resistência mecânica da NORMAM-321/DPC (Anexo 3-J), um colete salva-vidas adulto, molhado e fechado como se estivesse vestido, precisa aguentar 3.200 N na cintura — cerca de 326 kgf — durante 30 minutos, sem qualquer avaria ou deformação. O mesmo anexo testa o ombro, o tecido e os tirantes. Entre os cinco testes de material e resistência da norma, é o único exigido de todas as classes independentemente do material de flutuação.

Este post faz parte de uma série; a visão geral está em Como é testado um colete salva-vidas.

O colete inteiro: cintura e ombro

Preparo

Os coletes marcados como amostras A e B são imersos em água doce por 2 minutos, retirados e fechados do mesmo modo que estariam numa pessoa. O teste é feito com o colete molhado e montado como em uso, não com o produto seco na bancada.

Resistência da cintura

Aplica-se uma carga que força o colete a abrir, durante 30 minutos. A norma traz uma figura para o colete tipo jaleco ou jaqueta e outra para o tipo canga, e define a carga e o diâmetro do cilindro conforme o tamanho e a classe:

ColeteCargaDiâmetro do cilindro
Tamanhos grande e médio3.200 N (cerca de 326 kgf)125 mm
Tamanho pequeno (crianças)2.400 N50 mm
Classe V, V Especial e EAF, tamanhos grande e médio1.850 N125 mm
Classe V e V Especial, tamanhos pequenos700 N50 mm

Os coletes de esporte e recreio (Classe V, V Especial) e o EAF têm cargas menores; o que a classe muda nesse teste é a carga, não o critério. As classes estão explicadas em Classes de colete salva-vidas.

Resistência do ombro

Com o mesmo preparo, a carga é aplicada no ombro ou na gola do colete, também por 30 minutos, usando os mesmos cilindros do teste da cintura:

ColeteCarga
Tamanhos grande e médio900 N
Tamanho pequeno (crianças)700 N

Critério

Nos dois testes, o colete é aprovado se não sofrer qualquer avaria ou deformação decorrente do teste. O resumo do anexo registra, para cada amostra, o horário de imersão e de tração e se houve avaria ou deformação permanente.

Os materiais: tecido e tirantes

Tecido

São preparadas 5 amostras no sentido do urdume (longitudinal) e 5 no sentido da trama (transversal), evitando as bordas da peça de onde são retiradas. Cada amostra tem 50 mm de largura e comprimento para 200 mm entre mordentes. Sempre que possível, a largura é ajustada tirando fios externos, para que os fios que ficam permaneçam inteiros, já que o corte com tesoura pode danificar os fios próximos.

O preparo inclui o mar: a amostra fica 1 hora em água salgada (5% em peso de cloreto de sódio), à temperatura ambiente, é enxaguada em água doce e vai para a tração em até 1 minuto depois de sair da água.

Para aprovar, as 10 amostras precisam ter tensão de ruptura acima de 467 N, cerca de 48 kgf.

Tirantes

São 5 amostras, com 200 mm entre mordentes e o mesmo preparo em água salgada. Todas precisam romper acima de 1.780 N, cerca de 181 kgf. Para os tirantes, a norma admite que o ensaio seja substituído por certificados do fabricante.

Exigências sobre o equipamento

O anexo é detalhado sobre a máquina de tração:

  • deve indicar ou, de preferência, registrar a tração máxima aplicada antes da ruptura;
  • o erro máximo admissível na força é de ±1% (o item 1.7.2 d também pede instrumentação aferida com erro máximo de 1%);
  • os mordentes não podem deixar a amostra escorregar nem cortá-la ou enfraquecê-la; a recomendação é mordente plano, de superfície macia, mais largo que a amostra; mordente serrilhado exige proteger a amostra com feltro, borracha, couro ou papel;
  • ensaios em que a amostra escorrega ou rompe no mordente são desprezados.

O princípio é o de qualquer ensaio de tração; o que a NORMAM-321 acrescenta é o condicionamento em água salgada e o critério de aceitação.

Por que tanta força

A norma não explica de onde vêm os números, e não vamos atribuir a ela uma justificativa que ela não dá. Mas a lógica do ensaio é fácil de entender olhando o que ele faz: a carga tenta abrir o colete fechado e puxar pelo ombro, com o colete molhado. Uma finalidade plausível é garantir que o colete continue fechado e inteiro quando é ele que segura a pessoa — por exemplo, quando alguém na água é puxado ou içado pelo próprio colete, ou quando o corpo é sacudido dentro dele num salto ou numa queda. Nessas situações, um fecho que abre ou uma costura que cede significam perder o colete justamente quando ele é necessário.

O tecido e o tirante seguem o mesmo raciocínio, um nível abaixo: de nada adianta um colete bem desenhado se o material de que ele é feito rasga depois de algum tempo em água salgada.

Resistência à água do mar (Anexo 3-M)

O último teste do grupo não é de força, mas completa o quadro do mar. As amostras A e B ficam em um tanque com água salgada a 5% em peso de cloreto de sódio, à temperatura ambiente, por 48 horas contínuas. Para aprovar, nenhuma pode apresentar:

  1. perda de rigidez;
  2. aparecimento de fissuras;
  3. alteração das dimensões (dilatação ou enchimento);
  4. desagregação ou deterioração.

Pela tabela do item 3.19, o 3-M vale para as classes I e II, as de mar aberto. A espuma passa ainda por temperatura cíclica, óleo e absorção de água, assunto de A espuma do colete salva-vidas.

Onde a Labmor entra

A Labmor é o primeiro laboratório credenciado pela Marinha do Brasil (DPC) para testes de coletes salva-vidas pela NORMAM-321, e os testes 3-J e 3-M estão no escopo, ao lado de 3-F, 3-G e 3-H. Conheça nossos ensaios mecânicos de tração e compressão. A Labmor executa os testes; a homologação é da DPC, como explicado em Homologação de colete salva-vidas na Marinha.

Veja o credenciamento na página Marinha do Brasil ou fale com a gente.