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FMVSS 302: ensaio de flamabilidade horizontal
Publicado em 15/10/2026
Resposta rápida: a FMVSS 302 queima na horizontal um corpo de prova de material de interior e mede a velocidade da chama. O requisito é até 102 mm/min. A Labmor é acreditada para a FMVSS 302/2019.
Bancos, forrações de teto, tapetes, painéis de porta, cintos, revestimentos de console: tudo o que fica no habitáculo tem de queimar devagar o bastante para que os ocupantes tenham tempo de sair do veículo num princípio de incêndio. A FMVSS 302 é o ensaio que mede isso — e, por ser simples e universal, virou base para a ISO 3795, a SAE J369 e para dezenas de normas de montadoras.

O que a FMVSS 302 mede?
Mede a taxa de queima horizontal: a distância que a chama percorre no corpo de prova dividida pelo tempo que ela leva para percorrê-la, em milímetros por minuto. Não mede toxicidade de fumaça, gotejamento nem calor liberado — só a propagação da chama num material na horizontal, que é a condição mais comum do interior de um veículo.
Como o ensaio é feito
- Corte dos corpos de prova. Os corpos de prova são retirados da peça ou do material, com as dimensões definidas pela norma (um retângulo de 102 mm por 356 mm, sempre que a peça permite) e espessura de no máximo 13 mm, medida a partir da face voltada para o habitáculo. Se a peça é menor, usa-se o maior comprimento ou largura disponível, e o corte é feito na direção que dá o resultado mais desfavorável.
- Condicionamento. Antes do ensaio, as amostras ficam 24 horas a 21 °C e 50% de umidade relativa, e o ensaio é feito nessa mesma atmosfera — veja por que isso importa em pré-condicionamento.
- Montagem. O corpo de prova é preso num suporte em forma de U, na horizontal, com a face voltada para o habitáculo para baixo, dentro de uma cabine metálica que protege a chama de correntes de ar.
- Aplicação da chama. Um bico de Bunsen com chama de 38 mm de altura é posicionado sob a extremidade livre por 15 segundos.
- Medição. O tempo começa a contar quando a chama passa pela primeira marca de referência, a 38 mm da extremidade livre, e termina quando chega à marca final, a 38 mm da extremidade presa, ou quando a chama se apaga antes dela.
- Cálculo e classificação. A taxa de queima é calculada para cada corpo de prova; o relatório registra também se o material não queimou ou se autoextinguiu antes das marcas.
Qual é o critério de aprovação?
A FMVSS 302 exige que a taxa de queima não ultrapasse 102 mm/min. Um material que para de queimar antes de 60 segundos de contagem e sem ter queimado mais de 51 mm desde o ponto em que a contagem começou também é considerado conforme. Para relatar o resultado, é comum usar as classificações da SAE J369, que aplica o mesmo método:
| Classificação (SAE J369) | O que significa |
|---|---|
| DNI | O material não sustenta a combustão nem leva a chama até a primeira marca |
| SE/0 | Inflama, mas se apaga antes da primeira marca |
| SE/NBR | Para de queimar em menos de 60 s e com até 51 mm queimados após a primeira marca |
| SE/B | Passa da primeira marca e se apaga antes da marca final; a taxa é calculada |
| B | Queima até a marca final; a taxa é calculada e comparada com o limite de 102 mm/min |
Muitas normas de montadora usam o mesmo ensaio com critério mais rigoroso ou com classificações próprias. Por isso o relatório deve trazer o valor medido, não só "aprovado".
Que materiais entram no ensaio?
A norma vale para materiais do compartimento de ocupantes: estofamento e tecido de bancos, encostos, forrações de teto e de porta, tapetes, painéis, apoios de braço, cintos de segurança, coberturas e outros componentes que ficam a até 13 mm do espaço de ar do habitáculo. Camadas coladas entre si em todos os pontos de contato (tecido + espuma + filme, por exemplo) são ensaiadas como composto; camadas soltas, separadamente.
Na Labmor, a FMVSS 302 já foi aplicada em plásticos, tecidos e couros de bancos, borrachas e vedações e revestimentos pintados.
Erros comuns que mudam o resultado
- Amostra sem condicionamento. Material úmido ou recém-saído da produção pode queimar diferente.
- Corpo de prova que não representa a peça. Cortar só o tecido quando a peça é tecido + espuma, ou o contrário.
- Orientação errada. A face exposta à chama precisa ser a que fica voltada para o ocupante.
- Poucas amostras. A FMVSS 302 não fixa a quantidade, mas a SAE J369 e a ISO 3795 pedem no mínimo cinco corpos de prova por condição; planeje material para isso e para eventuais repetições.
- Critério ambíguo no pedido. Diga se o critério é o da FMVSS 302 ou o de uma norma de montadora.
FMVSS 302, ISO 3795 e SAE J369 são a mesma coisa?
São ensaios equivalentes na geometria e no princípio — câmara, suporte horizontal, chama na extremidade, taxa de queima —, e a Labmor é acreditada pelas três. As diferenças estão em detalhes de condicionamento (a FMVSS 302 usa 21 °C; a SAE J369 e a ISO 3795, 23 °C), número de amostras, forma de relatar e no critério, que no caso da ISO 3795 vem do regulamento que a cita (no Brasil, a Resolução CONTRAN). Veja ISO 3795 e a Resolução CONTRAN.
Experiência da Labmor
A flamabilidade horizontal é um dos ensaios mais frequentes da Labmor: mais de 300 projetos desde 2014, e a FMVSS 302 é a norma mais pedida da família, com mais de 160 projetos fechados. A Labmor é acreditada pela Cgcre/Inmetro (CRL 1521) para FMVSS 302/2019, ABNT NBR ISO 3795/2014, ISO 3795/1989, Resolução CONTRAN nº 498/2014 e SAE J369/2013 — confira o escopo acreditado. A lista de normas atendidas está na página de flamabilidade, e a visão geral dos métodos de queima no post ensaios de flamabilidade.
