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ISO 3795 e Resolução CONTRAN: flamabilidade no Brasil

Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: a ISO 3795 é o método de flamabilidade horizontal de materiais de interior (taxa de queima em mm/min); o limite vem de quem a exige. No Brasil, a Resolução CONTRAN nº 498/2014 traz no anexo um método próprio, com o mesmo arranjo da ISO 3795, e limita a taxa de queima a 100 mm/min.

Para quem fornece material de interior para veículos vendidos no Brasil, a pergunta costuma ser: "basta a FMVSS 302?" A resposta depende do que o cliente e o regulamento pedem. Este texto explica o que é a ISO 3795, como ela se relaciona com a Resolução CONTRAN e com a FMVSS 302, e o que o fabricante precisa ter em mãos.

O que é a ISO 3795?

É a norma internacional que determina a taxa de queima horizontal de materiais usados no interior de veículos rodoviários, tratores e máquinas agrícolas e florestais. Ela define:

  • a cabine de ensaio e o suporte do corpo de prova;
  • o queimador e a altura da chama;
  • as dimensões e o condicionamento das amostras;
  • o procedimento: aplicação da chama na extremidade, marcas de referência, cronometragem;
  • o cálculo da taxa de queima e a forma de relatar o material que não inflama ou se apaga antes da primeira marca (taxa registrada como 0 mm/min).

O que a ISO 3795 não traz é o limite de aprovação. Ela é um método; o critério vem de quem a cita — um regulamento de trânsito, uma norma de montadora ou um contrato de fornecimento.

ISO 3795 x ABNT NBR ISO 3795

A ABNT NBR ISO 3795 é a adoção brasileira da norma internacional. A Labmor tem as duas no escopo acreditado: ISO 3795/1989 e ABNT NBR ISO 3795/2014. Se a especificação cita uma delas, o relatório sai pela norma citada.

O que a Resolução CONTRAN exige

A Resolução CONTRAN nº 498/2014 estabelece os requisitos de flamabilidade dos materiais usados no revestimento interno do habitáculo dos veículos e descreve no próprio anexo o método de ensaio — câmara, corpo de prova, chama e cálculo no mesmo arranjo da NBR ISO 3795 —, com limite de 100 mm/min. Na prática, isso significa:

  1. o material é ensaiado pelo método do anexo da resolução, equivalente ao da NBR ISO 3795;
  2. a taxa de queima medida é comparada com o limite da resolução;
  3. o relatório de ensaio passa a fazer parte da documentação do fabricante do veículo ou do fornecedor do componente.

As resoluções do CONTRAN são revisadas e consolidadas de tempos em tempos. Antes de fechar o plano de ensaio, confira com o cliente qual resolução e qual versão estão na especificação — o laboratório registra no relatório a referência usada.

Como é o ensaio na prática

O procedimento é o da flamabilidade horizontal descrito no post da FMVSS 302:

  • corte de pelo menos cinco corpos de prova da peça ou do material, com espessura de até 13 mm e a face voltada para o habitáculo identificada;
  • condicionamento de 24 horas a 7 dias a 23 °C e 50% de umidade relativa antes do ensaio;
  • montagem na horizontal dentro da cabine;
  • aplicação de uma chama de 38 mm na extremidade livre por 15 segundos;
  • medição do tempo que a chama leva entre as marcas de referência e cálculo da taxa em mm/min.

FMVSS 302 ou ISO 3795: qual pedir?

SituaçãoNorma típica
Veículo vendido no Brasil, requisito legalResolução CONTRAN nº 498/2014 (método do anexo, equivalente à NBR ISO 3795; limite de 100 mm/min)
Exportação para os EUAFMVSS 302
Peça para montadoraA norma da montadora, que costuma citar a ISO 3795 ou a FMVSS 302
Material genérico, sem especificaçãoCombinar com o cliente final; a ISO 3795 e a FMVSS 302 são as referências mais usadas

Como o ensaio é o mesmo em princípio, é comum pedir as duas normas no mesmo lote de amostras, desde que haja material suficiente para o número de corpos de prova de cada uma. Isso evita uma segunda rodada quando o produto atende mais de um mercado.

O que o fabricante precisa informar

  • Norma ou regulamento que se quer atender (Resolução CONTRAN, NBR ISO 3795, FMVSS 302, norma de montadora);
  • Material ou peça, com a face voltada para o habitáculo identificada;
  • Composição, quando é um material composto (tecido + espuma + filme, por exemplo) — ele é ensaiado como montado;
  • Quantidade de amostras suficiente para os corpos de prova de cada norma;
  • Critério de aprovação, quando vem de uma norma de montadora mais rigorosa que o regulamento.

Outros veículos e setores

A flamabilidade horizontal também aparece fora do automóvel de passeio: ônibus e carrocerias, tratores e máquinas agrícolas (que estão no escopo da própria ISO 3795) e outros produtos quando a especificação do cliente adota o método. Em ônibus, as montadoras e encarroçadoras costumam ter normas próprias, como a Marcopolo ME047, listada na página de flamabilidade.

Experiência da Labmor

A Labmor ensaia flamabilidade horizontal desde 2014, com mais de 300 projetos fechados. A ISO 3795 soma mais de 40 projetos desde 2015, e a Resolução CONTRAN, mais de 15 projetos desde 2019, em bancos, tecidos e couros, borrachas e vedações, plásticos e peças de interior. Todo o conjunto — FMVSS 302/2019, ABNT NBR ISO 3795/2014, ISO 3795/1989, Resolução CONTRAN nº 498/2014 e SAE J369/2013 — está no escopo acreditado. As normas de montadora estão em normas de flamabilidade das montadoras.