Blog · Climáticos
ISO 16750-4: ciclo térmico, calor úmido e choque térmico
Publicado em 15/10/2026
Resposta rápida: a ISO 16750-4 reúne os ensaios climáticos de eletroeletrônicos de veículos: alta e baixa temperatura, ciclos e choque térmico, calor úmido e névoa salina, com extremos pelo local de montagem.
Calor, frio e umidade são os estresses que mais tempo atuam sobre um componente ao longo da vida do veículo. A ISO 16750-4 organiza esses estresses em ensaios de câmara climática que qualquer laboratório pode repetir. Este post explica cada família de ensaio, o que ela revela e o que precisa estar definido para começar.

Os ensaios da ISO 16750-4
| Ensaio | O que simula | Mais sobre o ensaio |
|---|---|---|
| Baixa temperatura (armazenamento e operação) | Veículo parado ou rodando no frio | Baixas temperaturas |
| Alta temperatura (armazenamento e operação) | Sol, compartimento do motor, calor de operação | — |
| Degraus de temperatura | Funcionamento ao longo de toda a faixa, passo a passo | — |
| Ciclo de temperatura | Variações diárias e de operação, com rampas controladas | Ciclo térmico |
| Choque térmico | Mudança brusca entre frio e calor | Choque térmico |
| Choque com água fria | Componente quente atingido por água fria (poça, lavagem) | — |
| Calor úmido constante e cíclico | Clima úmido, condensação, umidade que penetra nas vedações | Umidade |
| Névoa salina | Corrosão por sal de estrada e ambiente marinho | Corrosão |
Temperatura: operação e armazenamento
A norma separa dois casos:
- Armazenamento — o componente desligado, exposto ao extremo de temperatura; avalia se ele sai inteiro (sem deformação, trinca ou perda de função).
- Operação — o componente funcionando no extremo; avalia se ele trabalha dentro da especificação enquanto está frio ou quente.
As temperaturas não são únicas: dependem do código de temperatura do componente, ligado ao local de montagem (habitáculo, carroceria, motor). No automotivo, −40 °C é uma referência comum para o extremo frio; o extremo quente varia muito com o local.
Degraus e ciclos de temperatura
- Degraus de temperatura: a câmara sobe ou desce em patamares e o componente é verificado em cada um. Serve para achar a temperatura em que o funcionamento sai da especificação.
- Ciclo de temperatura: o componente passa repetidas vezes entre o frio e o calor com rampas controladas e tempos de permanência definidos, muitas vezes energizado. É o ensaio que revela fadiga de solda e de interfaces por dilatação e contração. A Labmor tem câmaras com rampas de até 10 °C/min para esses ciclos.
Choque térmico
No choque térmico, a passagem entre os extremos é brusca: a amostra é transferida entre dois ambientes já estabilizados. O estresse é maior que no ciclo, porque o calor não tem tempo de se distribuir por igual. Revela trincas, delaminação e falhas de juntas entre materiais com dilatação diferente.
A ISO 16750-4 também prevê o choque com água fria, por respingo ou por imersão, que reproduz o componente aquecido atingido por água — típico de peças externas e do compartimento do motor. A Labmor realiza choque térmico ar/ar e ar/água (este com transferência manual da peça).
Calor úmido
- Calor úmido constante: temperatura e umidade elevadas mantidas por longo período; avalia absorção de umidade, corrosão e queda de isolação.
- Calor úmido cíclico: temperatura varia com umidade alta, provocando condensação na superfície e dentro do produto a cada ciclo; é mais severo para vedações e placas eletrônicas.
A Labmor tem mais de 15 câmaras climáticas, com controle de umidade, e câmara úmida; é acreditada pela Cgcre, em produtos de metal, para resistência à umidade saturada pela ISO 6270-2, ASTM D2247 e ABNT NBR 8095.
Névoa salina
O ensaio expõe o componente a névoa de solução salina para avaliar corrosão e, em alguns casos, a manutenção da função e da vedação. A Labmor é acreditada pela Cgcre, em produtos de metal, para névoa salina pela ASTM B117 e ISO 9227.
O que precisa ser definido antes de começar
- Código de temperatura e local de montagem do componente.
- Quais ensaios da parte 4 se aplicam e em que sequência.
- Condição de operação em cada ensaio: desligado, ligado ou em funcionamento.
- Medições antes, durante e depois — e o estado funcional exigido (ISO 16750-1).
- Número de amostras por sequência.
Erros comuns
- Confundir ciclo com choque térmico. São ensaios diferentes, com equipamentos e severidades diferentes; a especificação diz qual se aplica.
- Ensaiar só desligado. Se a especificação pede operação, o componente precisa estar energizado e monitorado durante a exposição — uma falha que só aparece no frio ou no calor não é vista na bancada.
- Medir cedo demais. Depois de umidade e de temperatura, a amostra precisa voltar às condições de referência antes das medições finais; medir antes distorce o resultado.
Para a visão geral da norma, veja ISO 16750: as cinco partes.
Experiência da Labmor
A Labmor executa ensaios pela ISO 16750-4 desde 2017 — mais de 15 projetos, com destaque para calor úmido e choque térmico, em componentes eletrônicos, lanternas, alto-falantes e buzinas.
