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NT-Senasp 014/2024: os ensaios de câmeras corporais

Publicado em 15/10/2026

Resposta rápida: a NT-Senasp nº 014/2024 é a norma da Senasp para câmeras corporais das forças de segurança. A certificação exige ensaios em laboratório designado; a Labmor é designada para 8 deles.

Câmeras corporais passaram a fazer parte do equipamento de muitas polícias no Brasil, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública definiu requisitos mínimos de qualidade e desempenho para elas. Esses requisitos estão na NT-Senasp 014/2024, uma das normas técnicas do Pró-Segurança, o programa nacional de normalização e certificação de produtos de segurança pública. Este post explica o caminho da certificação e o que cada ensaio de laboratório avalia.

Câmera corporal fixada no colete de um policial militar de São Paulo

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR), editada.

O que é o Pró-Segurança

O Pró-Segurança é o Programa Nacional de Normalização e Certificação de Produtos de Segurança Pública, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp/MJSP). Ele publica as NT-Senasp, normas técnicas com os requisitos de cada produto usado pelas forças de segurança, e exige que esses produtos sejam certificados antes de serem fornecidos aos órgãos públicos.

A certificação é conduzida por organismos designados, e os ensaios que a sustentam são feitos por laboratórios igualmente designados pela Senasp para cada ensaio. A Labmor é laboratório designado para os ensaios listados abaixo, pelas Portarias SENASP/MJSP nº 643, de 2 de fevereiro de 2026, e nº 671, de 31 de agosto de 2026. O relatório sai acreditado pela Cgcre/Inmetro (ISO/IEC 17025, CRL 1521) quando o ensaio também está no escopo da acreditação — caso do grau de proteção IP, por exemplo.

O caminho da certificação

  1. Norma técnica. A Senasp publica a NT-Senasp do produto — no caso das câmeras corporais, a 014/2024.
  2. Organismo de certificação. O fabricante contrata um organismo de certificação designado, que conduz a avaliação da conformidade e define o plano de ensaios.
  3. Ensaios em laboratório designado. Os ensaios são executados por laboratório designado e geram os relatórios que sustentam a certificação.
  4. Certificado. Com os relatórios conformes, o organismo emite o certificado que habilita o produto a ser fornecido aos órgãos de segurança pública.

O laboratório não certifica o produto: ele ensaia e emite o relatório. Quem decide a certificação é o organismo.

Os 8 ensaios do escopo da Labmor

A NT-Senasp 014/2024 tem outros ensaios além destes — queda (7.4.4), vida útil de bateria (7.4.10) e o impacto de arma de fogo, que é optativo; a lista abaixo é a parte da norma para a qual a Labmor é designada, com a numeração dos itens no corpo da norma.

ItemEnsaioO que avalia
7.4.1Verificação metrológica e funcionalidadesSe a câmera grava, registra e opera as funções previstas na norma
7.4.2AudibilidadeO desempenho de áudio, nas condições que a norma define
7.4.3Estabilidade de imagem e fixaçãoA qualidade e a nitidez da imagem com os movimentos da atuação policial, com a câmera nos seus suportes
7.4.5Estresse térmicoSe a câmera suporta mudanças bruscas de temperatura sem dano físico ou funcional
7.4.6Contaminação por fluidosO efeito de exposição temporária a álcool 70°, usado na limpeza em serviço
7.4.7Radiação solarO efeito do aquecimento por radiação solar direta no material
7.4.8Grau de proteção (IP)A vedação contra poeira e jatos de água — no mínimo IP65
7.4.9Névoa salinaA resistência à corrosão em névoa salina neutra

Os parâmetros de cada ensaio — temperaturas, durações, fluidos, graus de IP exigidos, critérios de aprovação — estão na própria norma e no plano definido pelo organismo de certificação.

O que cada grupo de ensaio pede do fabricante

Ensaios funcionais e metrológicos (7.4.1 a 7.4.3). A câmera precisa chegar ao laboratório pronta para operar, com os acessórios de fixação, o software ou aplicativo de acesso às gravações e a documentação das funções. Sem isso, não há como verificar gravação, áudio e imagem.

Estresse térmico (7.4.5). A câmera passa em câmara climática por um ciclo de temperatura entre o frio e o calor (de −10 °C a 50 °C, com rampas controladas) e é verificada quanto ao funcionamento. Bateria e carregador fazem diferença no resultado; vale testar o conjunto como será fornecido.

Contaminação por fluidos (7.4.6). A câmera recebe álcool 70° borrifado sobre toda a superfície e depois é inspecionada e verificada. É a mesma lógica dos ensaios químicos em produto acabado: o que importa é o efeito no invólucro, nas teclas, na lente e na função.

Grau de proteção IP (7.4.8). Ensaios de ingresso de poeira e de água pela IEC 60529; a norma exige no mínimo IP65, ou grau maior quando solicitado. A Labmor faz os graus de poeira IP5X e IP6X e de água de IPX1 a IPX9 — veja a página de grau de IP e o post sobre a IEC 60529 e a ISO 20653.

Névoa salina (7.4.9). A câmera vai à câmara de névoa salina neutra, pela ABNT NBR 17088, por 24 horas, e ao final é avaliada quanto à corrosão e ao funcionamento. Mais em corrosão.

Erros que atrasam a certificação

  • Amostra sem acessórios. A fixação é ensaiada; sem o suporte de série, o ensaio 7.4.3 não representa o produto.
  • Versão de firmware diferente entre amostras. Os relatórios precisam corresponder ao produto que será certificado.
  • Começar pelo laboratório. O plano de ensaios vem do organismo de certificação; vale contratá-lo primeiro para saber quantas amostras e quais ensaios serão necessários.
  • Ensaiar sem pré-teste. Uma rodada de desenvolvimento antes da certificação — em especial IP e estresse térmico — evita reprovar com o processo já aberto.

Arma de incapacitação neuromuscular: a NT-Senasp 002/2020

Além das câmeras corporais, a Labmor é designada para dois ensaios da NT-Senasp nº 002/2020, a norma das armas eletroeletrônicas de incapacitação neuromuscular: vibração (item 6.3.7) e radiação solar (item 6.3.8). A radiação solar, nas duas normas, é executada em laboratório parceiro. O escopo completo, as portarias e os links oficiais estão na página de segurança pública.

Experiência da Labmor

Desde 2025 a Labmor executa ensaios ligados às NT-Senasp para fabricantes de câmeras corporais e de outros produtos de segurança pública, com os ensaios de grau de IP entre os mais pedidos.